HISTÓRIA DO SÃO
PAULO
As origens tricolores (1900-1935)
O Tricolor do Morumbi, como conhecemos hoje, nasceu
em 1935, mas a paixão de um grupo de paulistanos
pelo esporte vem de antes. Mais precisamente do último
ano do século XIX, em 1900, quando foi fundado
o Clube Atlético Paulistano.
O Paulistano era o "bicho-papão" do
início do século. Jogar contra o time
de Friedenreich era um orgulho, e o time ia freqüentemente
ao interior atendendo a convites. Também foi
a primeira equipe a fazer uma excursão à
Europa, em 1925. Contudo, o clube não aceitava
que seus jogadores se profissionalizassem, e resolveu
acabar com o departamento de futebol para não
abandonar a Liga amadora à qual pertencia.
E o que fazer com a paixão dos sócios
aficionados por futebol? O mesmo problema tinha acabado
com o futebol da Associação Atlética
das Palmeiras (clube alvinegro que só tem o mesmo
nome dos rivais do tricolor). E em 1930, nasceu o São
Paulo da Floresta, com jogadores e as cores vermelha
e branca vindos do Paulistano (cracaços como
Araken, Friedenreich e Waldemar de Brito), e com o branco
e o negro cedido pelo A.A. Palmeiras. Da união,
também veio o nome: São Paulo da Floresta.
O primeiro presidente do São Paulo da Floresta
foi eleito pelos sócios: o dr. Edgard de Souza.
No mesmo ano, um vice-campeonato já dava sinais
da glória destinada ao clube. E na temporada
seguinte, chegaria o primeiro troféu, com Nestor
(Joãozinho); Clodô e Barthô; Milton,
Bino e Sasse; Luizinho, Siriri (Armandinho), Fried,
Araken e Junqueirinha, e Rubens Salles de técnico.
E em 1933, o São Paulo da Floresta bateria o
Santos por 5 x 1 na primeira partida de futebol profissional
do Brasil.
Só que devido a uma pendência financeira
pela compra de uma sede na rua Conselheiro Crispiniano
- um palacete chamado de Trocadero - o São Paulo
da Floresta se complicou com dívidas e viu-se
obrigado a procurar uma fusão com o Tietê,
que determinou que não se usassem cores, uniformes
e vários outros símbolos do São
Paulo da Floresta. E no dia da extinção
oficial do clube - 14 de maio de 1935 - o amor de alguns
sócios pela entidade manteve-a viva criando o
nosso São Paulo de hoje. Em 4 de junho daquele
ano, nascia o Clube Atlético São Paulo,
que em 16 de dezembro, passaria a ser o São Paulo
Futebol Clube.
Manoel do Carmo Meca foi o primeiro presidente e os
outros fundadores do Mais Querido foram: Cid Mattos
Viana, Francisco Pereira Carneiro, Eólo Campos,
Manoel Arruda Nascimento, Izidoro Narvais Caro, Francisco
Ribeiro Carril, Porphírio da Paz, Eduardo Oliveira
Pirajá, Frederico A G. Menzen, Francisco Bastos,
Sebastião Gouvêa, Dorival Gomes dos Santos,
Deocleciano Dantas de Freitas e Carlos A. Azevedo Salles
Jr.
O SPFC
Finalmente, o São Paulo FC (1935-1940)
Todas as dificuldades não conseguiam acabar
com o São Paulo, mas o renascimento de 1935 foi
mais difícil. Os grandes craques tinham saído
e o primeiro time foi formado com atletas vindos de
outras cidades, como King e Segoa. Logo na partida que
marcaria a primeira entrada em campo do clube, mais
dificuldades. Uma festa oficial (era aniversário
da capital) proibia manifestações públicas,
mas Porphyrio da Paz - responsável pelo hino
do São Paulo - foi à luta e conseguiu
uma autorização do secretário Cantídio
Campos, para que o time pudesse enfrentar a Portuguesa
Santista.
E como o hino de Porphyrio já dizia, "Tu
és forte, tu és grande". Para atender
a vocação vencedora do time, uma nova
fusão trouxe para o Tricolor os jogadores de
uma outra dissidência do Paulistano - o Estudante
Paulista. E com um time à altura, só não
venceu seu primeiro título paulista, em 1938,
porque o juiz deu um gol de mão do atacante Carlito,
e o Corinthians chegou ao empate e ao título.
Mesmo assim, o clube só crescia, não apenas
melhorando o futebol, mas também estimulando
a prática esportiva em esportes variados. Eram
os alicerces de um futuro vencedor.
A década de 1940 foi particularmente brilhante
para o Tricolor. A pouca idade da associação
não era suficiente para saciar a fome de glórias.
E em 1942, chega do Rio de Janeiro um craque consagrado
- Leônidas da Silva, o "Diamante Negro",
e um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos.
Já bastava, mas não parou por aí.
O Tricolor passou a ser um show de estrelas, com as
chegadas de gigantes como Sastre, Bauer, Noronha, Rui,
Teixeirinha, Luizinho e Zezé Procópio.
Os adversários tentaram, mas naquela década,
já não tinha para mais ninguém.
Foram cinco títulos em dez anos, com direito
a dois bicampeonatos: 1943 (numa deliciosa conquista
que interrompeu a dobradinha Palestra Itália-Corinthians),
1945, 1946, 1948 e 1949. Em 1945, a taça chegou
com uma única derrota e no ano seguinte, o Tricolor
comemorou o campeonato invicto!
A ERA TELÊ
O São Paulo conquista o planeta
Após um período de tantas vitórias,
todos apostavam numa fase descendente do São
Paulo. E o time deu mesmo essa impressão. Em
1990, o time não engrenou. E para pôr ordem
na casa, o time chamou o técnico Telê Santana,
que ainda carregava a fama de "perdedor".
O casamento entre São Paulo e Telê seria
a união de maior sucesso na história do
clube.
Telê chegou ao Morumbi em 1990, a tempo de levar
o time à final do Brasileiro, vencida pelo Corinthians.
Mas não foi nada. No ano seguinte, a vingança
seria contra o mesmo Corinthians, só que no Campeonato
Paulista. Um verdadeiro azar para os adversários,
pois Telê lapidou seu time para arrasar nas finais.
Em 1991, O São Paulo já tinha a cara
de Telê. O velho mestre soube como fazer o talento
de Raí explodir, e não havia equipe brasileira
que pudesse parar aquele time inteligente, leal e que
pressionava o adversário durante 90 minutos.
Depois de três finais de Brasileiro consecutivas,
o São Paulo conquistaria seu terceiro título
em cima do Bragantino de Carlos Alberto Parreira. Poucos
acreditariam no que estava se armando.
Campeão Brasileiro, o São Paulo de Telê,
Zetti e Raí começou a Libertadores como
quem não quer nada, mas foi evoluindo durante
a competição. No primeiro jogo da final,
em Buenos Aires, o Newell's Old Boys venceu por 1 x
0, mas a torcida sabia que nada poderia segurar o time.
No jogo de volta, uma cena inédita: horas antes
do jogo, o Morumbi já não tinha lugar
para mais ninguém, mas a torcida continuava chegando.
As vias de acesso ao estádio ficaram entupidas.
E empurrado por um estádio apinhado, finalmente
o título da Libertadores, nos pênaltis!
O sonho do Mundial Interclubes em Tóquio finalmente
chegara. O adversário era o Barcelona de Johann
Cruyff - considerado o melhor Barcelona de todos os
tempos- com cracaços como Koeman, Stoichkov e
Laudrup. O Barcelona sai na frente, mas com dois gols
de Raí, o mundo se curvava à obra de arte
do time de Telê Santana. O São Paulo era
o melhor time do mundo. "Se você tem de ser
atropelado, é melhor que seja por uma Ferrari",
disse Cruyff, após a partida, sobre a superioridade
tricolor. Na volta, o São Paulo fez mais uma
vítima, na final do Paulista: o Palmeiras, que
amargava uma fila de 16 anos.
Raí ficou no São Paulo somente o suficiente
para vencer mais uma Libertadores, contra o Universidad
Católica. Deixou o clube para conquistar a França,
mas foi substituído com outros craques. Telê
remontou o São Paulo sem Raí para manter
o título Mundial em Tóquio, pela segunda
vez consecutiva. O adversário era o Milan de
Fabio Capello (que tinha sido o único clube italiano
a se sagrar campeão invicto na história).
Numa partida eletrizante, o São Paulo esteve
duas vezes em vantagem, com gols de Palhinha e Cerezo,
mas Massaro e Papin pareciam estar decididos a estragar
a festa. Quando o juiz já consultava o relógio,
Muller fez valer a sua marca de predestinado e marcou
um gol que jogou um balde d'água no Milan. São
Paulo bicampeão Mundial!
Telê Santana ficou cinco anos no São Paulo.
Neste período, venceu todas as competições
possíveis de serem vencidas por um clube paulista
(exceto a Copa do Brasil): Campeonato Paulista e Brasileiro,
Libertadores, Copa Conmebol, Supercopa da Libertadores,
Recopa da Libertadores, além do Torneio Ramón
de Carranza e Teresa Herrera. Jamais um outro clube
brasileiro tinha vencido tanto.
MAIS:
FONTE: http://www.saopaulofc.net
|