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Clube
de Regatas Vasco da Gama
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História do Clube de Regatas Vasco da Gama
O século XIX estava com os dias contados. Prudente
de Morais, o terceiro presidente de nossa República,
encerrava o seu mandato. O Rio de Janeiro, Distrito
Federal, com pouco mais de 500 mil habitantes, era o
lugar preferido de jovens que participavam de saraus
e recitavam poesias. Nesse ambiente cultural, o remo
era um dos únicos esportes com algum destaque
na cidade. Aos domingos, uma pequena e educada multidão
se agrupava nos arredores do Passeio Público
e da Rua Santa Luzia para ver, nas águas limpas
da Baía de Guanabara, competições
entre os barcos de clubes e seus remadores.
Nessa época, quatro jovens - Henrique Ferreira
Monteiro, Luís Antônio Rodrigues, José
Alexandre d `Avelar Rodrigues e Manuel Teixeira de Souza
Júnior - , cansados de viajar a Niterói
para remar com barcos do Club Gragoatá, decidiram
fundar uma agremiação de remo.
Depois de uma reunião na casa de um deles, à
Rua Teófilo Ottoni 90, o número de interessados
aumentou, e os encontros foram transferidos para o Clube
Recreativo Arcas Comercial (Rua São Pedro). A
idéia era conseguir a adesão de caixeiros
portugueses, que gostavam de esportes e não tinham
dinheiro para o ciclismo, em voga na época.
Chegara a hora da fundação. Com 62 sócios
assinando presença, no dia 21 de agosto de 1898,
no Clube Dramático Filhos de Talma (Rua da Saúde,
293) nascia um gigante chamado Club de Regatas Vasco
da Gama. A reunião foi presidida por Gaspar de
Castro, que convidou para secretariá-lo Virgílio
Carvalho do Amaral e Henrique Teixeira Alegria.
O REMO, A PRIMEIRA MODALIDADE ESPORTIVA
A aquisição dos barcos era prioridade
para o Vasco. Os sócios se cotizaram e, com muito
esforço, conseguiram comprar as baleeiras Zoca,
Vaidosa e Volúvel, que estavam de acordo com
as especificações determinadas pela União
de Regatas Fluminense, entidade que regulava os esportes
náuticos no Rio.
Em 04 de junho de 1899 o Vasco venceu sua primeira
regata, na classe novos, com o barco Volúvel,
de seis remos. O páreo, denominado Vasco da Gama,
em homenagem ao novo clube, foi vencido com uma guarnição
composta pelo patrão Alberto de Castro e os remadores
José Lopes de Freitas, José Cunha, José
Pereira Buda de Melo, Joaquim de Oliveira Campos, Antônio
Frazão Salgueiro e Carlos Batista Rodrigues.
O ano de 1900 foi um marco na histórica rivalidade
com o Flamengo. No primeiro páreo da história
do remo no Brasil, e que levava o nome do clube da Gávea,
a embarcação do Vasco foi a vencedora.
O destino do Vasco sempre foi a vitória. Com
empolgados torcedores assistindo às competições
no varandim construído por Pereira Passos às
margens da Baía de Guanabara, o primeiro título
estadual não demorou. E veio em dose dupla, 1905
e 1906. No ano do bi, dia 26 de agosto, os remadores
vascaínos deram outro duro golpe no rival, vencendo
mais uma vez um páreo com o nome Club de Regatas
do Flamengo.
O primeiro tricampeonato do Vasco e da história
do remo carioca veio em 1912, 1913 e 1914, com as embarcações
Meteoro e Pereira Passos.
1904 - UM DESAFIO AO RACISMO
Os vascaínos elegeram o primeiro presidente
não-branco da história dos clubes esportivos
em atividade no Rio. Numa época em que o racismo
dominava o esporte, Cândido José de Araújo,
um mulato que não dispensava a elegância
de um cravo branco na lapela, fez uma gestão
exemplar, apresentando o Vasco como um clube aberto
e sem preconceitos.
1915 - NASCE O FUTEBOL NO VASCO
Com o sucesso no mar, era hora de colocar a bandeira
vascaína no topo de outras modalidades esportivas.
Trazido da Inglaterra, o futebol, depois de um começo
tímido nos primeiros anos do século, vinha
ganhando força e popularidade junto aos cariocas.
Em 1913, um combinado português veio ao Rio a
convite do Botafogo para disputar alguns amistosos.
O relativo fracasso do time na excursão não
foi suficiente para aplacar a empolgação
da colônia lusa com o esporte bretão. Em
pouco tempo, os portugueses radicados no Rio formaram
seus clubes para a prática dessa modalidade esportiva:
o Centro Esportivo Português, o Lusitano e o Lusitânia.
Dos três, o único que conseguiu manter-se
foi o Lusitânia, justamente um clube cujo estatuto
só autorizava portugueses nos quadros.
A diretoria do Vasco, interessada desde o início
da década em formar um time de futebol, vinha
tentando seduzir o escrete luso a se fundir ao clube
de regatas. O empecilho era a restrição
da nacionalidade, pois as regras do Vasco afirmavam
a união de irmãos de todas as raças,
mas a norma da Liga Metropolitana de Sports Athleticos
(LMSA), que promovia o futebol no Rio, impedia a participação
de clubes sem brasileiros em seus quadros. O Lusitânia
cedeu e aceitou a fusão.
No dia 26 de novembro de 1915, nascia o futebol do
Vasco. Pouco mais de cinco meses depois, no dia 3 de
maio de 1916, vestindo uma camisa preta com a Cruz da
Ordem de Cristo - equivocadamente chamada de Cruz-de-Malta
- à altura do coração, o time do
Vasco estreou, no campo do Botafogo, contra o Paladino
Futebol Clube, na Terceira Divisão da Liga Metropolitana
de Sports Athleticos (LMSA). O resultado não
foi muito animador: goleada de 10 a 1 para os adversários.
O gol de honra dos cruzmaltinos, primeiro gol da história
do Vasco, foi marcado por Adão Antônio
Brandão, um português que viera para o
Rio de castigo, pois o pai não perdoava sua falta
de gosto pelos estudos.
Adão marcou o 1° gol da história do
Vasco.
Nos tempos do amadorismo, Adão marcou época
no clube como um atleta polivalente, que se destacava
tanto no futebol quanto em outros esportes, como atletismo,
remo, natação e pólo aquático.
Jogou futebol até 1933, quando o esporte se profissionalizou
no então Distrito Federal.
O fracasso nos jogos iniciais não desanimou
o time. A primeira vitória surgiu pouco tempo
depois, no dia 29 de outubro de 1916: o Vasco venceu
a Associação Atlética River São
Bento por um magro, porém convincente, marcador
de 2 a 1. Os gols que deram a alegria aos vascaínos
foram de Alberto Costa Júnior e Cândido
Almeida. A partida, disputada no campo do São
Cristóvão, na Rua Figueira de Mello, valia
pontos para a Terceira Divisão da LMSA. No entanto,
o resultado positivo não foi suficiente para
melhorar a colocação e o time de São
Januário terminou em último lugar.
Em 1917, a LMSA foi reformada e passou a ser denominada
Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMTD). O
número de participantes em cada Divisão
aumentou para dez e os seis clubes da Terceira Divisão
- inclusive o Vasco - foram promovidos para a competição
da Segunda. No campeonato daquele ano, o Catete ficou
com o título, mas o time cruzmaltino começou
a mostrar sua força, com nove vitórias
em 16 jogos e a quarta colocação no total
geral de pontos. No ano seguinte, o título foi
conquistado pelo Americano, time da capital, mas o Vasco
chegou ainda mais perto, terminando a disputa na terceira
colocação.
Em 1919, o Vasco, mesmo com nove vitórias, chegou
na quinta posição, deixando o título
para o Palmeiras. No ano seguinte, um quarto lugar.
No campeonato de 1921, a Liga Metropolitana reordenou
as Divisões, separando a Primeira pelas categorias
A e B. O Vasco foi conduzido para a B, e os bons resultados
não demoraram a aparecer. Os cruzmaltinos chegaram
perto mais uma vez, dois postos atrás do time
campeão, o Vila Isabel.
1922 - CHEGANDO À PRIMEIRA DIVISÃO DO
FUTEBOL
Em 1922 a redenção. O Vasco venceu a
Série B em todos os quadros que disputou. Quem
esteve no estádio da Rua Morais e Silva, no dia
17 de julho daquele ano, viu o time principal massacrar
o Carioca, imputando-lhe um humilhante 8 a 3, e levantar
a Taça Constantino, primeira na história
do futebol do clube.
A equipe, comandada pelo rigoroso técnico uruguaio
Ramón Platero, jogou com Nélson, Mingote
e Leitão, Nolasco, Bráulio e Artur, Pascoal,
Cardoso Pires, Torterolli, Claudionor e Negrito. O artilheiro
foi Claudionor, que marcou quatro gols, seguido de Cardoso
Pires, com dois. Pascoal e Torterolli fizeram um cada.
Muito mais do que um título, a goleada deu ao
Vasco a chance de que precisava para estar entre os
grandes, na Série A da Primeira Divisão,
e mostrar seu valor. Com um time cada vez melhor e uma
torcida que começava a mostrar sua força
nos subúrbios do Rio, seria mais fácil
do que se imaginava. Mas, antes, a equipe teria de enfrentar
o São Cristóvão, último
colocado da Divisão Principal em 22, para ganhar
a vaga entre os grandes. Como houve empate sem gols,
o Vasco ganhou a almejada promoção e o
São Cristóvão não foi rebaixado.
1923 - O PRIMEIRO TÍTULO LOGO NA ESTRÉIA
ENTRE OS GRANDES
O 1° time campeão entre os grandes
No ano seguinte, com os cariocas ainda chorando a morte
de Ruy Barbosa, o time entrou na disputa pelo título
principal do futebol da cidade. O Vasco, um clube desacreditado,
vinha de um campeonato em que os oponentes eram times
fracos. E enfrentaria os grandes, como Flamengo, Fluminense,
Botafogo e América.
Mas um fato despertou curiosidade. Enquanto os times
que disputavam a Série A eram formados exclusivamente
por jovens da elite carioca, o Vasco chegava ao campeonato
recheado de jogadores negros e de operários,
todos arrebanhados nos terrenos baldios dos subúrbios
cariocas. O técnico Ramón Platero submetia
os jogadores a um ritmo alucinante de treinos, fazia-os
correr diariamente do campo do Vasco, então na
Rua Morais e Silva, na Quinta da Boa Vista, até
a Praça Barão de Drumond, em Vila Isabel.
Os demais grandes, apesar de instigados, não
notaram a força do time do Vasco.
Depois de um empate em um gol com o Andaraí,
em General Severiano, a nau vascaína se aprumou
no campeonato e foi esmagando seus adversários,
sempre utilizando uma técnica infalível.
Como o preparo físico do time era evidentemente
superior ao dos outros, Platero fazia seu time levar
o primeiro tempo em ritmo lento, para, no segundo, arrasá-los.
Todas as 11 vitórias no campeonato foram alcançadas
nos últimos 45 minutos.
No fim do primeiro turno, o Vasco já apresentava
números assustadores para os adversários:
seis vitórias e apenas um empate, na estréia
no campeonato. A equipe cruzmaltina seguia seu caminho
de sucesso também no segundo turno, quando encontrou
pela frente seu já conhecido rival de Regatas,
o Flamengo. Na primeira vez na história em que
os dois times se enfrentaram, no turno anterior, o Vasco
chegara à vitória pelo marcador de 3 a
1. Os camisas pretas - apelido dado aos jogadores vascaínos
por causa do uniforme - vinham massacrando seus adversários
e o time rubro-negro seria apenas mais um a cair.
Domingo, 8 de julho de 1923. O título Clássico
dos Milhões, que mais tarde nomeou o confronto
entre os dois rivais, já poderia ter sido inventado
naquela tarde, no campo do Fluminense, na então
Rua Guanabara.
A Liga Metropolitana, responsável pela organização
do campeonato e de olho na grande arrecadação,
pos ingressos demais à venda. O resultado foi
contado nos jornais da época. " Mais de
35 mil pessoas, sem exagero, encheram as vastas dependências
do tricolor", escreveu "O Imparcial".
Com todos os espaços reservados ao público
preenchidos, muitos torcedores pularam a grade que separava
o campo para assistir ao jogo da pista de atletismo.
O interesse naquela partida era justificável:
os vascaínos vinham vencendo todos os clubes
cariocas e o que se viu naquela tarde foi uma reunião
de torcedores de todos os times contra os terríveis
camisas pretas.
O Flamengo largou na frente e logo depois ampliou a
vantagem para 2 a 0. No início do segundo tempo
Cecy diminuiu, mas em seguida os rubro-negros ampliaram
o marcador. A quatro minutos do fim Arlindo descontou
mais uma vez para o Vasco, deixando o marcador em 3
a 2. Na seqüência, houve uma forte pressão
dos vascaínos, mas o Flamengo conseguiu sustentar
o resultado. O jogo criou uma polêmica histórica.
Os cruzmaltinos afirmam, até hoje, ter havido
um terceiro gol, mal anulado pelo árbitro. Mas
não há qualquer registro desse lance na
imprensa carioca.
Resta a dúvida na cabeça de alguns vascaínos:
será que, como a torcida que lotava o estádio,
os jornalistas também torciam contra os camisas
pretas? No entanto, a derrota para o rival não
abalou a confiança do Vasco que partiu com tudo
para buscar o título.
Bem alimentados pelas refeições que faziam
no restaurante Filhos do Céu, na Praça
da Bandeira, e bem dispostos, graças ao repouso
oferecido no dormitório do Clube, os jogadores
cruzmaltinos enfrentaram, a seguir, América,
Fluminense e São Cristóvão. Rubros
e tricolores caíram na mesma tática das
demais vitórias vascaínas e foram liquidados,
no segundo tempo, pelo suficiente placar de 2 a 1. Uma
vitória sobre o São Cristóvão,
na penúltima rodada, daria o título por
antecipação aos cruzmaltinos. Por isso
mesmo, o adversário partiu para cima e marcou
primeiro, ampliando a vantagem logo a seguir. Com 2
a 0 no placar, o público que torcia contra o
Vasco acreditava que a parada estava ganha. Contudo,
mais uma vez, a estratégia de Ramón Platero
funcionou e, na etapa final, o time entrou com mais
fôlego e virou a partida para 3 a 2, com um gol
de Cecy e dois de Negrito.
Os camisas pretas, no seu ano de estréia na
Série A da Primeira Divisão, tornavam-se
campeões com todos os méritos possíveis,
com o seguinte time base: Nélson, Leitão
e Mingote, Nicolino, Claudionor e Artur, Pascoal, Torterolli,
Arlindo, Cecy e Negrito.
1923 - O VASCO CRIA O BICHO NO FUTEBOL
Nesse campeonato o Vasco instituiu uma forma criativa
de pagamento aos seus jogadores. Nos mercados de secos
e molhados da Saúde e da Rua do Russel, os portugueses
tinham o hábito de apostar nas vitórias
do Vasco.
Como quase sempre venciam, decidiram dividir o lucro
com os jogadores. Contudo, os atletas não poderiam
receber em dinheiro, já que eram amadores. Criou-se,
então, uma tabela que rendia uma premiação
de animal, de acordo com a importância do adversário
que o Vasco vencia. O América, o campeão
em 22, valia uma vaca com quatro pernas. O Flamengo,
bicampeão em 20/21 era merecedor de uma vaca
com três pernas. Uma vitória sobre o tricolor
carioca era trocada por duas ovelhas e um porco. Vencer
o Botafogo e outros times também rendiam algum
animal, sempre de galo para cima.
Estava então criado o bicho, um tipo de premiação
por bom resultado em um jogo e que viraria uma instituição
no futebol brasileiro.
1924 - UMA RESISTÊNCIA À DISCRIMINAÇÃO
RACIAL E SOCIAL
Enquanto na política o líder era o presidente
Arthur Bernardes, no futebol a equipe vascaína
vencia quase todas as partidas que disputava e também
as competições. Depois de atropelar os
adversários no ano anterior, em 1924 o Vasco
já era o inimigo número 1 das demais torcidas
cariocas. Um rival a ser batido, de qualquer maneira.
E já que era difícil batê-lo em
campo, os dirigentes dos clubes rivais resolveram investigar
as posições profissionais e sociais dos
camisas pretas, pois o futebol ainda era amador e jogador
não podia receber pela prática do esporte.
Um verdadeiro golpe para tirar o Vasco das disputas.
Entretanto, os vascaínos driblaram com categoria
as leis da Liga Metropolitana ao registrarem seus craques
como empregados de estabelecimentos comerciais dos portugueses.
Não satisfeitos, os membros da sindicância
da entidade resolveram fiscalizar a veracidade das informações.
O tricolor Reis Carneiro, o rubro Armando de Paula Freitas
e o rubro-negro Diocésano Ferreira se cansaram
de bater às portas das firmas lusitanas e ouvir
que os jogadores, ou melhor, funcionários, estavam
realizando serviços externos.
A fiscalização das profissões
dos jogadores era, na realidade, ilegítima. Por
baixo dos panos, muitos atletas dos grandes clubes cariocas
já recebiam para jogar. O que de fato incomodava
os adversários era a origem daqueles jogadores:
um time formado por negros, mulatos e operários,
arrebanhados nas áreas pobres da cidade do Rio
de Janeiro. E, ainda por cima, com o troféu nas
mãos.
Depois de esgotadas todas as possibilidades de retirar
o Vasco da disputa, pelo regulamento da Liga Metropolitana,
os adversários apelaram para a criação
de uma nova entidade, a Associação Metropolitana
de Esportes Atléticos (AMEA). Aceitaram a inscrição
de todos os grandes e, é claro, recusaram a dos
vascaínos. Com um argumento nada convincente.
Segundo os dirigentes adversários, o time cruzmaltino
era formado por atletas de profissão duvidosa
e o clube não contava com um estádio em
boas condições.
Realmente, o campo da Rua Morais e Silva não
tinha a estrutura que o Vasco merecia, mas não
era esse o problema. Isso ficou claro na proposta feita
pela AMEA, excluir 12 de seus jogadores da competição,
justamente os negros e operários. O Vasco recusou
a proposta por uma carta histórica de José
Augusto Prestes, então presidente cruzmaltino,
ao presidente da AMEA, Arnaldo Guinle:
"Estamos certos de que Vossa Excelência
será o primeiro a reconhecer que seria um ato
pouco digno de nossa parte sacrificar, ao desejo de
filiar-se à Amea, alguns dos que lutaram para
que tivéssemos, entre outras vitórias,
a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro
de 1923", argumentou Prestes. Ele prosseguiu defendendo
seus atletas. "São 12 jogadores jovens,
quase todos brasileiros, no começo de suas carreiras.
Um ato público que os maculasse nunca será
praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa
que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles com
tanta galhardia cobriram de glórias". E
finalizou, decidindo não entrar na nova entidade:
"Nestes termos, sentimos ter de comunicar a Vossa
Excelência que desistimos de fazer parte da Amea".
Sem um campo em condições e vítima
do racismo de seus adversários, restou ao Vasco
disputar, com outros 21 times de menor expressão
o campeonato da abandonada Liga Metropolitana de Desportos
Terrestres. Dezesseis vitórias depois, sem nenhum
empate ou derrota, os camisas pretas levantavam o bicampeonato
sem dificuldades. No triangular final, no campo do Andaraí,
o Vasco goleou por 5 x 0 o Engenho de Dentro e passou
sem dificuldades pelo Bonsucesso, com uma vitória
simples. O time-base era quase uma repetição
do ano anterior, com apenas duas substituições:
Nicolino por Brilhante e Arlindo por Russinho. Ramón
Platero permanecia firme no comando.
No ano seguinte, graças à intervenção
de Carlito Rocha, dirigente do Botafogo e árbitro
da polêmica partida contra o Flamengo, em 1923,
o Vasco foi admitido na Amea. O Clube mandava seus jogos
no campo do Andaraí, onde é hoje o Shopping
Iguatemi, mas seus dirigentes já se movimentavam
para construir um belo estádio de futebol. E,
por tabela, dar uma lição naqueles que
um dia afastaram os camisas pretas da disputa com os
grandes.
FONTE: www.crvascodagama.com
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