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| O Futebol na Rede conversou com o Preparador Físico Roger Burket, 30 anos. Com passagens por equipes do futebol do interior do Rio Grande do Sul, Roger quer mais. Foram quatro anos no Esporte Clube Pelotas, até seguir seu caminho pelo São Paulo de Rio Grande e Guarany de Bagé. Também atuou no Farroupilha de Pelotas. Em tempos de crise, para um preparador físico buscar espaço no mercado do interior, a batalha é longa. Acompanhe a entrevista: |
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1- Futebol na Rede: Foram quatro anos de auxiliar de preparador físico no Pelotas até chegar à função de preparador, qual a diferença entre as funções, na sua visão?
Roger: Acho que são poucas diferenças de uma função pra outra. O auxiliar exerce a função de apoio físico na orientação dos treinos, tem que ter definição de conceitos de prática, planejamento e execução dos trabalhos. Já o preparador físico, cabe a organização e a execução dos treinamentos físicos da equipe, deve entender de relacionamento humano, como também os limites do corpo humano, portanto a grande diferença na minha opinião está relacionada ao fato de que o preparador físico é o responsável direto pela performance física de toda a equipe e os principais sinais de cobrança sempre serão em cima do preparador.
2- FNR: Como foi este período no Pelotas desde o rebaixamento até a luta para voltar a 1ª?
Roger: A minha chegada ao Pelotas se deu no segundo semestre de 2004 logo após o rebaixamento da equipe no Campeonato gaúcho. Foi um período difícil no clube, de reestruturação total, onde o clube optou por disputar a Copa RS para tentar apagar a imagem negativa do primeiro semestre o mais rápido possível. A estrutura do clube era precária em virtude das sequelas do campeonato gaúcho, lembro que o fardamento dos jogos eram um de cada fornecedor, meias de um, calção de outro e camisa de outro, pois o clube não tinha conseguido fornecedor de material esportivo. Então a única saída era aquela. Mas, felizmente a campanha foi muito boa na Copa RS onde ficamos em quinto lugar, perdendo nas quartas de final para o Inter B, e dali o clube conseguiu uma grande base para a serie B do ano seguinte. Em 2005 nossa campanha foi muito boa onde perdemos apenas três jogos na serie B do campeonato gaúcho, mas infelizmente não subimos, num quadrangular que tinha São Luiz de Ijuí, Gaúcho de Passo Fundo, Sapucaiense e Pelotas. Nós tropeçamos num momento importante do campeonato, onde perdemos para o São Luiz em Ijuí, empatamos duas vezes com o Gaúcho de Passo Fundo e fomos pra Sapucaia precisando vencer, mas o nosso grupo não correspondeu ao momento de decisão. Até porque as condições eram desfavoráveis no estádio e o ambiente do jogo estava nos levando para uma eliminação. Disputamos a Copa RS de 2005 onde fizemos uma campanha razoável, mas, o trabalho foi muito bom com o comando do André Luis e do Márcio Vitória. Começamos 2006 com o Nestor Simionato como treinador e o Giovani Guimarães de preparador físico. Fizemos uma campanha ruim na primeira fase (não por culpa da comissão) e sim pelas dificuldades do campeonato. Caímos pra repescagem na serie B, mas felizmente conseguimos ser campeões da mesma indo para o octogonal final onde também ficamos em quinto lugar na série B daquele ano. Disputamos a Copa RS de 2006, fizemos a melhor campanha da primeira fase e infelizmente perdemos nas oitavas de final pro Ypiranga de Erechim e amargamos uma saída precoce do campeonato. Iniciou 2007 e aí surgia a grande expectativa em cima do Pelotas, pois o clube tinha acabado de fechar uma parceria com a AGS, empresa comandada por César Sampaio, que tinha dado grande resultado no Figueirense e Guaratinguetá. A campanha na primeira fase foi muito boa, ficamos em primeiro lugar na primeira fase da serie B com o comando de Valmir Louruz, que logo após se desligou por problemas particulares. Foi aí que chegou o treinador Agnaldo Liz pra comandar o Pelotas, um grande profissional que infelizmente as pessoas em pelotas colocaram toda a culpa em cima deste treinador pela eliminação, pois fizemos uma grande campanha no primeiro turno do octogonal final onde em 7 jogos vencemos cinco e empatamos dois. No segundo turno nossa campanha não foi a mesma em virtude de vários fatores extra campo com o nosso grupo.
3- FNR: O preparador físico hoje no interior do estado pensa também em segundona, ou seja, competição de maior período?
Roger: Olha, em termos de contratos mais longos, a segundona é mais favorável sim, mas em termos de reconhecimento profissional e valorização a serie A é mais vantajosa nesse sentido. O ideal é trabalhar nos dois campeonatos, quando isso é possível, como aconteceu comigo em 2008.
4- FNR: Como foram as passagens nas demais equipes, além do Pelotas?
Roger: A minha saída do Pelotas se deu no final de 2007, fui auxiliar por 4 anos, tenho muito o que agradecer as pessoas que confiaram no meu trabalho e que me deram oportunidade, como Manuel Nunes ( Neca) , Clóvis Prestes , Marcelo Neves, Manuel Soares entre outros. Logo após minha saída, tive convite do treinador Bebeto Rosa e do treinador de goleiros Carlos Garcia ( Passarinho), para ser preparador físico da equipe, na oportunidade tinham assumido o Guarany de Bagé no campeonato gaúcho da Série A de 2008, após a queda da comissão técnica anterior. Infelizmente cheguei no meio da competição, numa chave muito difícil, onde o Guarany não tinha feito um período de base muito bom e foi difícil recuperarmos em termos de resultado. Fomos rebaixados pra serie B, mas, a valorização do trabalho e o reconhecimento foram o diferencial nesse período e as portas ficaram abertas nesse clube. Após o campeonato gaúcho da serie A, tive um convite do Farroupilha de Pelotas onde também tinha sido demitida a comissão anterior e fui convidado para mais um desafio pelo diretor Éber Morales e pelo presidente Evaldo Poeta. Mas, o tempo não foi o ideal para recuperar a equipe que vinha em má fase, em dez jogos ganhamos três, perdemos dois jogos e empatamos cinco. E por um ponto não levamos a equipe ao octogonal final, ficou um gosto amargo pela eliminação, mas deixamos um grande trabalho no Farroupilha. E na Copa FGF de 2008 tive um convite do São Paulo de Rio Grande, mais precisamente do treinador Alberi Rodrigues, para iniciar um projeto visando essa Copa. Mas as más condições que o clube no momento enfrentava em termos financeiros acabaram interferindo na campanha da equipe, que infelizmente não foi boa.
5- FNR: O técnico ainda é mais valorizado que um preparador físico?
Roger: Infelizmente sim, não que o treinador não mereça a remuneração que todos nós sabemos, mas acho que o preparador físico tem que ser visto com outros olhos pelos clubes, principalmente os pequenos e de médio porte, pois nos grandes a valorização nessa área é muito boa.
6- FNR: O caminho hoje em dia é mesmo sair do RS, como muitos estão fazendo?
Roger: Olha não que no Rio Grande do Sul não existam clubes organizados, estruturados, e com boa condição, existem sim, e muitos. Tanto em serie A como em serie B. Mas tudo passa por oportunidade de trabalho e propostas, mas acho que fora do Rio Grande do Sul, principalmente em São Paulo o profissional na área de preparação física é mais valorizado.
7- FNR: Qual passagem você destacaria em se tratando de trabalhar junto com um técnico de futebol?
Roger: Todos os treinadores foram importantes e agradeço a eles por muitas vezes me passarem conselhos e ensinamentos, passagem em si tem muitas e ficaria aqui dizendo várias. Gostaria desse espaço pra agradecer principalmente a Nestor Simionato, Gimar Gasparoni (SUCA), André Luis, Ronaldo Rangel (BAGÉ), Jair galvão, Valmir Louruz, Agnaldo Liz, Bebeto Rosa e Alberi Rodrigues.
E aos preparadores físicos com os quais trabalhei como auxiliar no Pelotas: ANDRÉ BARATZ, MÁRCIO VITÓRIA, MANUEL LILLES (CANELA) TIAGO NUNES, E UMA PESSOA QUE GOSTARIA DE FAZER UMA HOMENAGEM DEPOIS DESSA TRAGÉDIA OCORRIDA E COM PERDA DE UM DOS MEUS MELHORES AMIGOS, GIOVANI GUIMARÃES, que com certeza aprendi muito com suas conversas e conselhos e que infelizmente partiu cedo nessa tragédia com o ônibus do Brasil de Pelotas.
8- FNR: E agora para 2009, quais as perspectivas?
Roger: Infelizmente ainda não tive acerto com nenhuma equipe. Foi feitos três convites, um inclusive do exterior, mas, que não deram certo. Estamos aguardando um projeto de qualidade, estruturado, para dar seqüência na nossa carreira e nessa paixão que é a preparação física no futebol profissional.
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| Texto: Felipe Machado |
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